BiografiaFrancisco de Assis Pereira (São Paulo, SP, 1933 - idem 2015). Autor e ator. Um dos integrantes do
Teatro de Arena, atuante dramaturgo representante dos grupos ideológicos, formador de novos autores através de seus prestigiados cursos de dramaturgia.
Inicia sua carreira como ator de rádio em 1953. Dois anos depois torna-se cameraman de TV, trabalhando na TV Tupi de São Paulo e TV Record. Em 1958, entra para o Teatro de Arena, atuando em
A Mulher do Outro, de Sydney Howard (1891-1939), com direção de
Augusto Boal (1931-2009), e
Eles Não Usam Black-Tie, de
Gianfrancesco Guarnieri (1934-2006), dirigido por
José Renato (1926-2011), ambos em 1958;
Chapetuba Futebol Clube, de
Oduvaldo Vianna Filho (1936-1974) e
Gente como a Gente, de
Roberto Freire (1927-2008), espetáculos de 1959. No ano anterior, é um dos fundadores do 1º Seminário de Dramaturgia do Teatro de Arena, que leva à cena textos escritos pelos membros da companhia, num expressivo movimento de nacionalizar o palco, difundir os textos e politizar a discussão da realidade nacional.
Faz assistência de direção para
Antunes Filho (1929), em
Plantão 21, 1959, de Sidney Kingsley (1906-1995), pelo
Pequeno Teatro de Comédia; e para José Renato, em
Revolução na América do Sul, 1960, de Augusto Boal. No mesmo ano, dirige
A Mais-Valia Vai Acabar, Seu Edgar, de Oduvaldo Vianna Filho, no Teatro de Arena da Faculdade de Arquitetura da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), pelo
Teatro Jovem. O êxito da realização e, paralelamente, a necessidade de uma maior articulação, aproxima o grupo da União Nacional dos Estudantes, UNE, originando o primeiro
Centro Popular de Cultura (CPC).
De sua autoria, surge
O Testamento do Cangaceiro, 1961, dirigido por Boal, tendo
Flávio Império (1935-1985) como cenógrafo e figurinista. Escreve
A Aventura de Ripió Lacraia, 1963, direção de José Renato para o
Teatro Nacional de Comédia (TNC); e
Farsa com Cangaceiro Truco e Padre, 1967, montado
pelo Núcleo 2 do Arena, fechando uma trilogia sobre a literatura popular de cordel do Brasil. Dedica-se à televisão, voltando ao teatro como ator em
Tom Paine, 1970, de Paul Foster, dirigido por
Ademar Guerra (1933-1993).
No mesmo ano, sua peça
O Auto do Burrinho de Belém é interditada pela Censura. Escreve
Missa Leiga, peça polêmica de Ademar Guerra, com produção de
Ruth Escobar (1936), que é proibida de ser apresentada na Igreja da Consolação. Acaba por apresentar-se numa fábrica abandonada, em 1972, fazendo enorme sucesso e viajando para Portugal e África. Em 1985,
Antonio Fagundes (1949), que havia participado da primeira montagem de
Farsa com Cangaceiro Truco e Padre, remonta o texto, agora intitulado
Xandú Quaresma, pela
Companhia Estável de Repertório (CER).
É convidado, em 1989, pelo diretor e autor
Fauzi Arap (1938-2013),
para montar um curso de dramaturgia no Teatro de Arena no
Projeto Tarô dos Ventos. Terminado o projeto, Chico de Assis conserva o seminário então denominado Projeto Semda, Seminário de Dramaturgia do Arena. Forma vários novos dramaturgos, entre eles, os premiados Noemi Marinho, João Carlos Couto e Sofia Negrão.
Tem também um curto histórico como diretor musical e colaborador em direções musicais de espetáculos, tendo realizado letra e música para
A Mulher do Outro,Chapetuba Futebol Clube e letras para
Revolução na América do Sul, com música de
Geni Marcondes (1916-2011) e Esther Scliar (1926-1978).
Como roteirista, tem vasta produção em cinema e TV, tendo também aplicado muitos cursos de roteiro nessas áreas, como também, dirige uma série de programas e novelas para a televisão.
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