Professora de Língua Portuguesa e Inglês, Trabalhou com fantoches desde a infância, pois é descendente de família circence (Circo Rocha) e seu avô construía e manipulava mamulengos. Nas escolas, profissionalmente sempre se utilizou do recurso dos fantoches para contar histórias e estimular em seus alunos o gosto pela leitura. Atuou durante muitos anos em projetos de sala de leitura na escola pública, https://www.teatrodebonecoseaeducacao.com/p/quem-somos-nos
domingo, 11 de abril de 2021
Você já ouviu a fábula a Águia e a Galinha? Essa história pode nos ensinar muita coisa. Isso principalmente se tentarmos compreendê-la sob um viés psicanalítico. Neste artigo, queremos conversar um pouco sobre isso. Porém, antes de começarmos, precisamos explicar o conceito de fábula para você que talvez não conheça.
Assim, vamos iniciar a discussão trazendo uma breve definição sobre esse gênero textual, que muitas vezes também é chamado de parábola.
Índice de Conteúdos
O que é uma fábula?
A fábula é uma composição literária em que os personagens são animais. No entanto, esses animais em específico apresentam características humanas, tal como fala e certos costumes. Em geral, o público dessas histórias é composto por crianças. Ademais, é carcterístico desse gênero literário terminar com um ensinamento moral de caráter instrutivo.
Resumindo, trata-se de uma narrativa em prosa ou poema épico breve, mas que tem em especial um caráter moralizante. Além de animais, pode ser protagonizado por plantas ou até objetos inanimados. Sua estrutura é composta por uma parte narrativa e uma breve conclusão moralizadora. Nessa conclusão, os animais se tornam exemplos para o ser humano, sugerindo uma verdade ou reflexão de moral.
Esse gênero tem sua origem no Oriente, isto é, um lugar onde existe uma vasta tradição de fábulas famosas. Depois passa para a Grécia, onde foi cultivada por Hesíodo, Arquíloco e, sobretudo, Esopo. Lembre-se que neste período o gênero ainda pertencia à tradição oral. Foi apenas com os romanos, especialmente Fedro, que a fábula foi inserida na literatura escrita.
Voltando aos personagens, cada animal na fábula simboliza algum aspeto ou qualidade do homem. Por exemplo, o leão representa a força; a raposa, a astúcia; a formiga, o trabalho. A fábula, consequentemente, é uma narrativa com fundo didático.
Quando os personagens são seres inanimados, forças da natureza ou objetos, a narrativa recebe o nome de apólogo. Esta é diferente da fábula.
Geralmente, as fábulas são transmitidas pelos pais, professores. Até mesmo políticos e figuras públicas podem ser a fonte da transmissão. Além disso, elas estão em livros, peças de teatro, filmes, entre outras formas de comunicação.
A águia e a galinha
Agora vamos falar sobre a fábula a Águia e a Galinha. Trata-se de uma história com origem em um pequeno país da África Ocidental: Gana. Ela foi narrada originalmente por um educador popular, James Aggrey, nos inícios deste século. Isso aconteceu durante os embates pela descolonização. Ele conta assim:
Princípio
“Era uma vez um camponês que foi à floresta vizinha apanhar um pássaro, a fim de mantê-lo cativo em casa. Conseguiu pegar um filhote de águia e o colocou no galinheiro junto às galinhas.
Cresceu como uma galinha.
Depois de cinco anos, esse homem recebeu em sua casa a visita de um naturalista.
Enquanto passeavam pelo jardim, disse o naturalista:
– Esse pássaro aí não é uma galinha. É uma águia.
– De fato, disse o homem. É uma águia. Mas eu a criei como galinha. Ela não é mais águia. É uma galinha como as outras.
.A ÁGUIA...... E A GALINHA | |
Texto 1 Qual Milho de Pipoca você é?
A transformação do milho duro em pipoca macia é simbolo da grande transformação por que devem passar as pessoas para que elas venham a ser o que devem ser.
O milho de pipoca não é o que deve ser.
Ele deve ser aquilo que acontece depois do estouro.
O milho de pipoca somos nós: duros, quebra-dentes, impróprios para comer.
Mas a transformação só acontece pelo poder do fogo.
Milho de pipoca que não passa pelo fogo continua a ser milho de pipoca, para sempre.
Assim acontece com gente. As grandes transformaçoes acontecem quando passamos pelo fogo. Quem não passa pelo fogo fica do mesmo jeito, a vida inteira.
São pessoas de uma mesmice e uma dureza assombrosas. Só elas não percebem. Acham que é o seu jeito de ser. Mas, de repente, vem o fogo.
O fogo é quando a vida nos lança numa situação que nunca imaginamos. Dor.
Pode ser o fogo de fora: perder um amor, perder um filho, ficar doente, perder o emprego, ficar pobre.
Pode ser o fogo de dentro: pânico, medo, ansiedade, depressão, sofrimentos cujas causas ignoramos.
Há sempre o recurso do remédio. Apagar o fogo. Sem fogo, o sofrimento diminui. E com isso a possibilidade da grande transformação. pipoca, fechada dentro da panela, lá dentro ficando cada vez mais quente, pensa que a sua hora chegou: vai morrer.
Dentro de sua casca dura, fechada em si mesma, ela não pode imaginar destino diferente. Não pode imaginar a transformação que está sendo preparada. A pipoca não imagina aquilo de que ela é capaz.
Aí, sem aviso prévio, pelo poder do fogo a grande transformação acontece:
Bum!
E ela aparece como uma outra coisa completamente diferente que ela mesma nunca havia sonhado.
Piruá é o milho de pipoca que se recusa a estourar. São aquelas pessoas que, por mais que o fogo esquente se recusam a mudar. Elas acham que não pode existir coisas mais maravilhosas do que o jeito delas serem. A sua presunção e o medo são a dura casca que não estoura. O destino delas é triste. Ficarão duras a vida inteira. Não vão se transformar na flor branca e macia. Não vão dar alegria a ninguém. Terminado o estouro alegre da pipoca, no fundo da panela ficam os piruás que não servem para nada.
Seu destino é o lixo.
E você o que é?
Uma pipoca estourada ou um piruá?
















